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Leis de incentivo

Cobrar ingresso na Lei Rouanet: cotas obrigatórias, preço médio e contrapartida

Clube Emma · 7 min de leitura

O projeto da Lei Rouanet não precisa ser 100% gratuito. Pode vender ingresso, desde que a venda esteja prevista no plano de distribuição, respeite as cotas obrigatórias e traga uma medida de ampliação do acesso.

A venda de ingresso se decide no começo

A proposta apresenta no plano de distribuição a quantidade de ingressos, as modalidades gratuitas, as vendas e os valores. A receita prevista com a bilheteria entra no planejamento financeiro e respeita a regra do valor total do projeto.

Por isso o assunto não pode ficar para a última semana antes do envio. Cobrar ou não cobrar ingresso muda os objetivos, o texto sobre democratização do acesso e o orçamento. O passo a passo de preenchimento está em Plano de distribuição no Salic: como preencher sem travar o envio.

As quatro faixas do artigo 41

O artigo 41 divide os ingressos em quatro faixas:

O patrocinador usa a cota dele para funcionários e convidados. A cota de divulgação serve para influenciadores, promoções em rádio e outras ações de divulgação do projeto. Os dois primeiros percentuais são tetos, e você não é obrigado a usá-los.

A cota de preço social vale qualquer que seja o preço do ingresso inteiro. Se o seu ingresso custa R$ 200, ainda assim 20% dos ingressos vendidos precisam sair por até R$ 50.

O que acontece quando você zera uma cota promocional

A lei não diz isso de forma explícita, mas o Salic funciona assim: ao zerar a cota do patrocinador, a de divulgação ou as duas, os ingressos delas passam para a distribuição social ou educativa. Na prática, o projeto termina com 30% de distribuição gratuita, seja repartida entre as três cotas, seja toda concentrada na social ou educativa.

O exemplo com 1.000 ingressos

Se as duas cotas promocionais não forem usadas, os 200 ingressos delas vão para a distribuição social ou educativa, que passa de 100 para 300.

Somando os 20% de preço popular com os 30% de distribuição gratuita, metade dos ingressos de um projeto incentivado sai gratuita ou a no máximo R$ 50. É isso que responde a quem diz que a Lei Rouanet financia o projeto e a bilheteria vira lucro.

O preço médio do ingresso inteiro: até R$ 250

Na parcela restante, o artigo 41 deixa o proponente escolher o preço. O limite que vale é o do preço médio do ingresso inteiro, de R$ 250. Não é um teto para cada ingresso isolado, e sim uma média que você precisa calcular com todas as faixas e modalidades do plano. Se o projeto vende ingressos, a conta precisa ser feita antes de lançar os valores no Salic.

Quem recebe o ingresso social

Distribuição gratuita social ou educativa não é entregar ingresso a qualquer pessoa para poder dizer que houve cota gratuita. O artigo 41 trata de estudantes, de atendimento a idosos e dos demais públicos previstos na legislação. O artigo 43 define esses públicos e prevê a distribuição por entidades representativas ou escolas públicas.

Registre tudo. Em qualquer lei de incentivo, a prestação de contas pede comprovação de que a distribuição foi feita, com lista de entidades, termos de entrega e fotos. Dizer que distribuiu não basta.

Cotas não bastam: o artigo 42 exige ampliação de acesso

Quem cobra ingresso precisa incluir ao menos uma medida de ampliação do acesso (art. 42). As mais usadas são:

A medida precisa ser viável e compatível com o projeto. Uma frase bonita no texto não cumpre a exigência.

E há contrapartida social: o artigo 44

Quem comercializa ingressos ou produtos inclui ações formativas como produto secundário, com orçamento detalhado. O alcance mínimo é de 10% do público do produto principal, com piso de 20 beneficiários e teto exigível de 500, voltado a estudantes e professores de instituições públicas. Essas ações não se confundem com a atividade gratuita do artigo 42, e cada uma precisa existir por si.

Dá para ser remunerado, mas não é lucro garantido

O proponente pode receber pelo trabalho que realiza dentro do projeto, dentro dos limites da norma. O que a lei não prevê é financiar o projeto pela Rouanet e ficar com a bilheteria como lucro. O texto Remuneração do proponente na Lei Rouanet mostra os tetos de 20% e 30% do valor captado.

Para pensar o acesso além do ingresso, veja também Democratização do acesso: por que ingresso gratuito não resolve tudo.

Checagem antes de definir a bilheteria

  1. Decida cedo se vai cobrar, antes de escrever objetivos e orçamento.
  2. Monte as quatro faixas do artigo 41 com a quantidade real de ingressos.
  3. Calcule o preço médio do ingresso inteiro e confira o limite de R$ 250.
  4. Reserve 20% a até R$ 50, qualquer que seja o preço cheio.
  5. Defina quem recebe a cota social e como vai comprovar a entrega.
  6. Escolha a medida do artigo 42 e a ação formativa do artigo 44, com orçamento.

Fechar o plano de acesso antes de enviar

A IA Emma ajuda a organizar o projeto cultural, do plano de distribuição ao orçamento, para você chegar ao Salic com a bilheteria e as contrapartidas já planejadas.

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